sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

Marketing de tragédia


Apesar de antigo, vale a pena resgatar.
É engraçado quando falam que o brasileiro tem memória curta. Pois vou contar uma novidade: Garanto a vocês que tal característica não é uma exclusividade nossa. Acredito que todos lembrem que há dois anos atrás – quando o metrô de São Paulo desabou – a enxurrada de críticas, de todos os lugares do mundo, para a ação que a Red Bull fez na tentativa de “ajudar” nas buscas por sobreviventes da tragédia.  A revolta foi geral e muitos afirmaram e condenaram que a marca havia ignorado regras básicas do marketing e tentou, de uma forma “agressiva”, se promover num momento de crise.
Bom, não precisou de muito tempo para que novas ações similares acontecessem. Era nítido que com uma catástrofe de tão altas proporções que abateu e destruiu Haiti, estaria aberta a temporada para as empresas oportunistas.
Não consigo aceitar que uma ação social esteja ligada ao promocional de um determinado produto, e principalmente, diretamente relacionada a venda deste produto. Um exemplo do que estou dizendo é a promoção lançada na net pelo McDonald´s. A empresa fez declarações sociais muito bonitas e anunciou que doaria 0,50 centavos para as vítimas do Haiti para cada Big Mac vendido na América Latina durante uma semana (resultado da ação: arrecadação de U$$ 500.000,00).
É óbvio que não sou contra enviarem dinheiro ou qualquer ajuda para quem precisa – até porque toda ajuda é bem-vinda num momento em que o caos toma conta de uma região/país. Meu questionamento é a tentativa de se promover, tirar vantagem, criar uma imagem que não é a realidade da empresas ou de alguns indivíduos tem tentado empurrar a força para a sociedade. Eu sinceramente acredito que existem outras formas de se ajudar e principalmente, não “ganhar” a partir de uma tragédia.
Espero que a cada dia nosso consumidor - da mesma forma que compra de forma mais sustentável - comece a elencar suas empresas de acordo com a integridade e moral, porque só assim, conseguiremos nos livrar de atitudes/ações que se aproveitam da boa vontade alheia.

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